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Mãe

 

 

 

"A decisão de ter um filho é muito séria. É decidir ter, para sempre,

o coração fora do peito." Elizabeth Stone

Extraído do livro Insight/ Daniel Carvalho Luz - São Paulo: DVS, 2001, p.269.

 

Querida mãe, obrigado...

Daniel Carvalho Luz

Obrigado por me criar com Amor. Obrigado por conversar comigo e me fazer companhia

enquanto eu estava na barriga. Obrigado por não me retribuir as pancadas, enquanto

eu chutava por dentro. Obrigado por não alegar seus enjoos matinais do primeiro trimestre,

seus tornozelos inchados e suas dezessete horas, trinta e três minutos e dezesseis segundos

de trabalho de parto.

Obrigado por dizer que meu nascimento foi o dia mais extraordinário da sua vida.

Obrigado por desamassar as minhas orelhas quando eu deitava de barriga para baixo. Obrigado

por soprar beijocas com barulho de traque na minha barriga. Obrigado por dizer "Mamãe...

Mamãe...Mamãe" um milhão de vezes, até eu conseguir repetir.

Obrigado por nunca se esquecer de me alimentar. Obrigado por pegar do chão a minha colher

ou a minha tigela doze vezes por refeição. Obrigado por me fazer abrir a boca dizendo "Lá vai

o aviãozinho". Obrigado por limpar a sujeira todas as vezes que o aviãozinho encontrava

turbulência e se derramava todo em cima de você.

Obrigado por me treinar para usar o penico e ficar tão orgulhosa quando eu consegui fazer direito.

Obrigado por me dizer que não tinha importância eu cair, que o "dodói" logo passava. Obrigado

por se manter calma durante os meus terríveis dois anos e os meus totalmente exaustivos três

anos e os meus pavorosos quatro anos e... Obrigado por não me deixar ser "a causa da sua

loucura".

Obrigado por limpar meus bigodes de chocolate com seu onipresente paninho úmido. Obrigado por

passar cuspe nos dedos para abaixar aquele meu cacho de cabelo rebelde. Obrigado por limpar

meus ouvidos, dizendo que era para eu não ter orelhar cabeludas, feito o vovô.

Obrigado por dizer a todas as suas amigas que eu era uma criança prodígio.

Obrigado por... Obrigado por... Não, o óleo de fígado de bacalhau não vale um muito obrigado.

Obrigado por me prometer que o tempo curava todas as feridas (a não ser que eu arrancasse

as cascas).

Obrigado por seus sorrisos maravilhosos. Obrigado por me ensinar a Agradecer. Obrigado por me

distrair antes do médico me dar injeção. Obrigado por pedir ao médico para me dar um pirulito.

Obrigado por seus enormes abraços e beijos.

Obrigado por uma infância extraordinária. Obrigado por me preparar para a vida adulta. Obrigado

por me dedicar os melhores anos de sua Vida. Obrigado por seus sacrifícios.

Obrigado por ser minha. E, acima de tudo, por ser a melhor mãe do mundo!

Extraído do livro Insight/ Daniel Carvalho Luz - São Paulo: DVS, 2001, pp. 269-270  

 

Mãe

Aquilo que dá vontade de gritar quando a gente não sabe o que fazer.

Extraído do livro Pequeno dicionário de palavras ao vento/Adriana Falcão - São Paulo: Richmond,

2013, p.56.

 

Mãe

Mário Quintana 

 

Mãe! são três letras apenas 

As desse nome bendito: 

Três letrinhas, nada mais... 

E nelas cabe o infinito. 

E palavra tão pequena 

- confessam mesmo os ateus - 

É do tamanho do céu! 

E apenas menor que Deus... 

Extraído do livro Lili inventa o mundo/ Mário Quintana - São Paulo: Gaudí Editorial, 2013, p.15.

 

Se as coisas fossem mães

Sylvia Orthof

 

Se a lua fosse mãe, seria mãe das estrelas,
o céu seria sua casa, casa das estrelas belas.

Se a sereia fosse mãe, seria mãe dos peixinhos,
o mar seria um jardim e os barcos seus caminhos.

Se a casa fosse mãe, seria a mãe das janelas,
conversaria com a Lua sobre as crianças estrelas,
falaria de receitas, pastéis de vento, quindins,
emprestaria a cozinha pra Lua fazer pudins.

Se a terra fosse mãe, seria mãe das sementes,
pois mãe é tudo que abraça, acha graça e ama a gente.

Se uma fada fosse mãe, seria a mãe da alegria,
toda mãe é um pouco fada... Nossa mãe fada seria.

Se uma bruxa fosse mãe, seria mamãe gozada:
seria a mãe das vassouras, da Família Vassourada!

Se a chaleira fosse mãe, seria a mãe da água fervida,
faria chá e remédio para as doenças da vida.

Se a mesa fosse mãe,

as filhas, sendo cadeiras

sentariam comportadas,

teriam “boas maneiras”.


Cada mãe é diferente: mãe verdadeira, ou postiça,

mãe vovó e mãe titia, Maria, Filó, Francisca,

Gertrudes, Malvina, Alice, toda mãe é como eu disse.



Dona Mamãe ralha e beija,

erra, acerta, arruma a mesa,

cozinha, escreve, trabalha fora,

ri, esquece, lembra e chora,

traz remédio e sobremesa...

tem até pai que é “tipo mãe”...

Esse, então, é uma beleza! 

Extraído do livro Se as coisas fossem mães/ Sylvia Orthof - São Paulo: Singular, 2009

 

O que é mãe?

Sérgio Capparelli

Mãe? O que é mãe?
Pessoa doce?
Tão doce
Que faz passar vergonha
Doce de batata-doce?

Mãe? O que é mãe?
Tão doce
Que se parte
Quando parte,
Melhor seria
Se não se fosse.

Mãe? O que é mãe?
luz muito clara,
Tão clara
Que nos aclara
E, afagando,
nos ampara?

Mãe? O que é mãe
Tão doce? Tão severa
Se a gente erra!
E que empurra
Se tudo emperra.
Mãe severa? Mãe doce?
Ou  mãe fera?

Nesse teu dia
Te dou jasmim,
Te dou gladíolos,
Te dou beijim,
Assim assado,
Assim, assim.

Extraído do livro 111 poemas para crianças/ Sérgio Capparelli - Porto Alegre: L&PM, 2003, p. 47.   

 

Mamãezinha

Henriqueta Lisboa

 

Mamãezinha, conta,

conta uma história!

 

Mamãezinha agora

está no fogão

fazendo quitutes

para o seu neném.

 

Mamãezinha, conta,

conta uma história!

 

Mamãezinha agora

está no tanque

lavando as roupas

do seu neném.

 

Conta, Mamãezinha,

conta uma história!

 

Mamãezinha agora

está no seu sono

cansado, sem sonhos.

 

Extraído do livro Poesias - Para gostar de ler, vol. 6/ vários autores - São Paulo: Ática, 2005, p.12.

 

Minha mãe

Vinícius de Moraes

 

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo 
Tenho medo da vida, minha mãe. 
Canta a doce cantiga que cantavas 
Quando eu corria doido ao teu regaço 
Com medo dos fantasmas do telhado. 
Nina o meu sono cheio de inquietude 
Batendo de levinho no meu braço 
Que estou com muito medo, minha mãe. 
Repousa a luz amiga dos teus olhos 
Nos meus olhos sem luz e sem repouso 
Dize à dor que me espera eternamente 
Para ir embora. Expulsa a angústia imensa 
Do meu ser que não quer e que não pode 
Dá-me um beijo na fronte dolorida 
Que ela arde de febre, minha mãe. 

Aninha-me em teu colo como outrora 
Dize-me bem baixo assim: - Filho, não temas 
Dorme em sossego, que tua mãe não dorme. 
Dorme. Os que de há muito te esperavam 
Cansados já se foram para longe. 
Perto de ti está tua mãezinha 
Teu irmão, que o estudo adormeceu 
Tuas irmãs pisando de levinho 
Para não despertar o sono teu. 
Dorme, meu filho, dorme no meu peito 
Sonha a felicidade. Velo eu. 

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo 
Me apavora a renúncia. Dize que eu fique 
Dize que eu parta, ó mãe, para a saudade. 
Afugenta este espaço que me prende 
Afugenta o infinito que me chama 
Que eu estou com muito medo, minha mãe.

Extraído do livro O caminho para a distância/ Vinícius de Moraes - São Paulo: Cia das Letras, 2008

 

Maternidade

Carlos Drummond de Andrade

 

Seu desejo não era desejo
corporal.
Era desejo de ter filho,
de sentir, de saber que tinha filho,
um só filho que fosse, mas um filho.

Procurou, procurou pai para o seu filho.
Ninguém se interessava por ser pai.
O filho desejado, concebido
longo tempo na mente, e era tão lindo,
nasceu do acaso, o pai era o acaso.

O acaso nem é pai, isso que importa?
O filho, obra materna,
é sua criação, de mais ninguém.
Mas lhe falta um detalhe,
o detalhe do pai.

Então ela é mãe e pai do seu garoto,
a quem, por acaso,
falta um lobo de orelha, a orelha esquerda.

 Extraído do livro Corpo/ Carlos Drummond de Andrade - Rio de Janeiro: Record, 2007, p.27.

 

Suas mãos

Carlos Drummond de Andrade

 

Aquele doce que ela faz

Quem mais saberia fazê-lo?

 

Tentam. Insistem, caprichando.

Mandam vir o leite mais nobre.

Ovos de qualidade são os mesmos,

manteiga, a mesma,

iguais açúcar e canela.

É tudo igual. As mãos (as mães?)

são diferentes.

 Extraído do livro  A senha do mundo/ Carlos Drummond de Andrade - Rio de Janeiro: Record, 2002,

p. 31.

 

 Para Sempre

Carlos Drummond de Andrade 

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Extraído do livro Lição de coisas/ Carlos Drummond de Andrade - São Paulo: Cia das Letras, 2012,

p. 76. 

  

Conheça curiosidades sobre o dia das mães

 

 

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