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Amor

 

Textos inspiradores sobre o amor:

 

"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar". 

Machado de Assis, em Ressurreição, cap. VIII.

Disponível em: http://machado.mec.gov.br/

 

" Amar é mudar a alma de casa."

Mário Quintana / Extraído do livro Para viver com poesia:

seleção e organização Márcio Vassallo - São Paulo: Globo,

2008, p.85.

 

"... amor será dar de presente um ao outro a própria solidão? Pois é a coisa mais última que se

pode dar de si."

Clarice Lispector, em Crônicas para jovens: de amor e amizade- Rio de Janeiro: Rocco,

2010, p. 55.  

 

"Mas há a vida que é para ser intensamente vivida, há o amor. Há o amor. Que tem que ser vivido

até a última gota. Sem nenhum medo. Não mata."

Clarice Lispector, em Crônicas para jovens: de amor e amizade- Rio de Janeiro: Rocco,

2010, p. 57. 

 

"Amor. Mesmo em atraso ainda está dentro do prazo."

Pedro Gabriel, em Segundo Eu me chamo Antonio - Rio de Janeiro: Intrìnseca, 2014, p.89 

 

"Acreditar nos sonhos de alguém é uma das formas mais bonitas de demonstrar carinho e amor."

Bruna Vieira, em A menina que colecionava borboletas, Ed.Gutenberg, 2014, p.69.

 

"Confesso logo de cara que o proibido sempre me atraiu.

Faz parte da minha natureza transgredir, (...).

(...)

Não tenho sexo. Não tenho corpo. Não sou mortal nem imortal, visto que morro mas renasço,

e volto a morrer e a renascer até o infinito. Sou um teimoso. Há quem tente me prender, há

quem tente me entender, há quem tente me explicar, nada disso é muito fácil.

(...)

(...).  Há quem me chame de Eros, Kama, Philea, Ahava, há quem me chame de Amor, há quem

me chame de Love."

Extraído do livro Queria ver você feliz/Adriana Falcão - Rio de Janeiro: Intínseca, 2014, pp.7- 9.    

 

 “(...). Quando o amor vos chamar, segui-o,

Apesar de seu caminho ser duro e íngreme.

E quando suas asas vos envolverem, abraçai-o,

Apesar da espada escondida entre suas penas poder ferir-vos.

E quando ele falar convosco, acreditai nele, (...)

(...)

O amor não dá nada além de si mesmo e não toma nada além de si mesmo.

O amor não possui nem é possuído,

Pois o amor é suficiente ao amor.

(...)”

Trechos do livro O profeta, Khalil Gibran; São Paulo: L&PM, 2001, pp. 22-25.

Clique aqui e leia o livro.

AcessePublicações/Fotopoemas  e conheça o fotopoema inspirado nesse texto.

 

Bilhete 

Mário Quintana

Se tu me amas, ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres,
enfim,
tem de ser bem devagarinho, amada,
que a vida é breve, e o amor mais breve ainda...  

Extraído do livro Nariz de vidro/ Mário Quintana -  São Paulo: Editora Moderna, 2003,

pág. 21.

 

Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure. 

Extraído do livro Poemas, sonetos e baladas/ Vinícius de Moraes-  São Paulo: Edições Gavetas, 1946.

<http://www.viniciusdemoraes.com.br/>

 

Soneto 5

Luís Vaz de Camões

Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói, e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é nunca contentar- se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor? 

Fonte: Sonetos/ Luís de Camões < http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000164.pdf > 

Na letra da música Monte Castelo, Renato Russo cita  trecho do texto bíblico Carta de Paulo

aos Coríntios e trechos do soneto de Camões.  Saiba mais.

 

Soneto 30

Luís Vaz de Camões

 

Sete anos de pastor Jacob servia

Labão, pai de Raquel, serrana bela;

mas não servia ao pai, servia a ela,

e a ela só por prêmio pretendia.

 

Os dias, na esperança de um só dia,

passava, contentando-se com vê-la;

porém o pai, usando de cautela,

em lugar de Raquel lhe dava Lia.

 

Vendo o triste pastor que com enganos

lhe fora assi(m) negada a sua pastora,

como se a não tivera merecida,

 

começa de servir outros sete anos,

dizendo:-Mais servira, se não fora

para tão longo amor tão curta vida.

Fonte: Sonetos/ Luís de Camões < http://www.dominiopublico.gov.br/>

Evidentemente, Camões também tirou inspiração de um texto bíblico.

 

Fanatismo

Florbela Espanca 

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio e Fim!"

Fonte: Poemas selecionados/ Florbela Espanca <http://www.dominiopublico.gov.br >

Na música Fanatismo , Raimundo Fagner canta os versos de Florbela Espanca.

 

Via láctea

Soneto XIII 

Olavo Bilac

"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...

E conversamos toda a noite, enquanto
A via láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"

E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".

 

Extraído do livro Olavo Bilac - Antologia: Poesias. São Paulo: Martin Claret, 2002. p. 37-55:

Via Láctea. Coleção a obra prima de cada autor.

A música Ouvir Estrelas, da banda Kid Abelha, foi  inspirada no poema de Olavo Bilac.

 

 Arte de amar

Manuel Bandeira

 

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma,

A alma é que estraga o amor.

Só em Deus ela pode encontrar satisfação.

Não noutra alma.

Só em Deus – ou fora do mundo.

 

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

 

Extraído do livro Para querer bem - antologia poética de Manuel Bandeira - São Paulo: Moderna, 2005, p.33.

 

 Todas as cartas de amor são ridículas

Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa)  

 

Todas as cartas de amor são

Ridículas.

Não seriam cartas de amor se não fossem

Ridículas.

Também escrevi em meu tempo cartas de amor,

Como as outras,

Ridículas.

As cartas de amor, se há amor,

Têm de ser

Ridículas.

Mas, afinal,

Só as criaturas que nunca escreveram

Cartas de amor

É que são

Ridículas.

Quem me dera no tempo em que escrevia

Sem dar por isso

Cartas de amor

Ridículas.

A verdade é que hoje

As minhas memórias

Dessas cartas de amor

É que são

Ridículas.

 

(Todas as palavras esdrúxulas,

Como os sentimentos esdrúxulos,

São naturalmente

Ridículas.)

Fonte: Poemas de Álvaro de Campos <http://www.dominiopublico.gov.br/>

 

Amor e medo

Casimiro de Abreu

 

(...) meu amor é chama 

Que se alimenta no voraz segredo,

E se te fujo é que te adoro louco...

És bela eu moço; tens amor eu medo!...

Tenho medo de mim, de ti, de tudo,

(...)

Trecho de poema publicado no livro As primaveras

 

Declaração

Carlos Queiroz Telles

 

É hoje...

Tem que ser hoje!

Eu não aguento mais...

Seja o que Deus quiser!...

Vai do jeito que for...É agora!

É já!

 

(suspiro fundo)

 

- Eu te amo!

 

Extraído do livro Sonhos, grilos e paixões/ Carlos Queiroz Telles - São Paulo: Moderna,

2003, p.42.

 

Truques e Táticas

Carlos Queiroz Telles

Meu último amor eterno

acabou antes de ontem.

Que sofrimento do cão!
Depois de tanta paquera,
beijo e abraço,
carinho e amasso,
carta e até presente...
ele me joga na cara
que não há mais nada
entre a gente,
que está tudo acabado
e já não gosta de mim!

Mas isso não fica assim!
Eu vou partir para a luta,
eu vou virar uma fera,
eu vou deixar ele louco,
arrependido, arrasado,
doido, babando, pirado,
implorando o meu perdão!

Esse ingrato ainda vai ver
quanto dói uma traição!
E se houver outra no meio,
que se cuide desde já
e prepare o coração!
o bem-bom que agora é dela
logo, logo, não demora,
vai virar recordação...

Eu juro, rejuro e trijuro
que vou buscar esse moço
na raiva, no charme ou no laço
e depois que ele estiver
pendurado em meu pescoço
... o que será que eu faço?

Bem... isso eu resolvo depois.

Extraído do livro Sonhos, grilos e paixões/ Carlos Queiroz Telles - São Paulo: Moderna,

2003, p. 46.

Sonho

Roseana Murray

 

Vamos marcar um encontro

na esquina do terceiro sonho?

Estarei vestida de nuvens

e orvalho

e nas mãos de um livro

de uma história sem fim.

Você sorrirá para mim

e juntos navegaremos

até os cofins do mundo.

Encontraremos uma ilha deserta

e aí plantaremos palavras 

e flores azuis.

Extraído do livro Poemas e comidinhas/ Roseana Murray - São Paulo: Paulus, 2008, p.10.

 

Atira para o mar

Renata Pallotini

 

Atira para o mar as tuas coisas

Abandona os teus pais

Muda de nome

 

Esquece a pátria

Parte sem bagagem

Fica mudo e ensurdece

Abre os teus olhos.

 

Se o teu amor não vale tudo isso

Então fica onde estás

Gelado e quieto.

 

O amor só sabe ir de mãos vazias

E só vale se for o único projeto.

 

Extraído do livro Amores diversos/ Vários autores - São Paulo: melhoramentos,

2003, p.13.

 

Livros e flores

Machado de Assis

 

Teus olhos são meus livros.

Que livro há aí melhor,

Em que melhor se leia

A página do amor?

Flores me são teus lábios.

Onde há mais bela flor,

 Em que melhor se beba

O bálsamo do amor?

 

Machado de Assis/ Falenas

Disponível em:  http://machado.mec.gov.br/ 

 

As sem razões do amor

Carlos Drummond de Andrade

Eu te amo porque te amo. 
Não precisas ser amante, 
e nem sempre sabes sê-lo. 
Eu te amo porque te amo. 
Amor é estado de graça 
e com amor não se paga. 

Amor é dado de graça, 
é semeado no vento, 
na cachoeira, no eclipse. 
Amor foge a dicionários 
e a regulamentos vários. 

Eu te amo porque não amo 
bastante ou de mais a mim. 
Porque amor não se troca, 
não se conjuga nem se ama. 
Porque amor é amor a nada, 
feliz e forte em si mesmo. 

Amor é primo da morte, 
e da morte vencedor, 
por mais que o matem (e matam) 
a cada instante de amor. 

Carlos Drummond de Andrade, em O corpo, 1984.

 

Quero

Carlos Drummond de Andrade

Quero que todos os dias do ano
todos os dias da vida
de meia em meia hora
de 5 em 5 minutos
me digas: Eu te amo.
Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
e no seguinte,
como sabê-lo?
Quero que me repitas até a exaustão
que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
pois ao não dizer: Eu te amo,
desmentes
apagas
teu amor por mim.
Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
isto sempre, isto cada vez mais.
Quero ser amado por e em tua palavra
nem sei de outra maneira a não ser esta
de reconhecer o dom amoroso,
a perfeita maneira de saber-se amado:
amor na raiz da palavra
e na sua emissão,
amor
saltando da língua nacional,
amor
feito som
vibração espacial.
No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
inexoravelmente sei
que deixaste de amar-me,
que nunca me amastes antes.
Se não me disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamo,
verdade fulminante que acabas de desentranhar,
eu me precipito no caos,
essa coleção de objetos de não-amor.

 Carlos Drummond de Andrade, em As impurezas do branco, 1973.

 

 

 

 

 

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